Quarta-feira, 15 de Setembro de 2010

NÃO FUI EU!

 

NÃO SOU POBRE
NEM SOU RICO:
SOU O QUE SOU
SEM SER
AQUELE QUE SONHEI.
E LUTEI
PARA SER ALGUÉM...PARA CHEGAR
AO QUE SOU:
QUASE NINGUEM.
 
SE PARA CIMA
LEVANTO OS OLHOS
PARA OS QUE ME DOMINAM
E DESATINAM,
NÃO SOU NADA.
MAS HÁ QUEM,
QUE SENDO ALGUÉM,
MENOS É DO QUE EU.
MAS QUEM O FEZ?
NÃO FUI EU.
 
OS QUE VIVEM
AOS MOLHOS
E QUE DA VIDA
SÓ COLHEM
OS ABROLHOS,
OS DEMENTES
OS ESFAIMADOS,
OS POBRES
DE CORPOS MIRRADOS
E OS OLHOS ENCOVADOS,
SEM ALEGRIA APARENTE,
MAIS INFELIZES SÃO
DO QUE EU
 
MAS QUEM OS FEZ,
NÃO FUI EU.
 
DIRÃO OS ATEUS,
IRONICAMENTE:
FOI DEUS!
 
 
SOU O QUE SOU
E O QUE SOU
FOI FEITO NA CORRENTE,
NO TURBILHÃO,
DUMA SOCIEDADE
BEM CONSCIENTE DAQUELE BEM
QUE TANTO PROMETE,
PARA NADA DAR
E, AO INVÉS,
A GUERRA FAZER
SEM SE CANSAR.
 
E, SEM OPÇÃO
QUE NÃO SEJA
DE MERO ACASO,
NA ONDA DE VIOLÊNCIA,
DE SENTIMENTO RASO,
MATA-SE A INOCÊNCIA!
 
E, NESSA SOCIEDADE,
-NEM EU SEI!
SE ENTRE OS BONS
OU OS MAUS
EU ESTAREI.
 
CERTAMENTE
QUE TEREI
UM LUGAR,
UMA POSIÇÃO
QUE ELA ME IMPÔS
MAIS DO QUE DEU.
 
 
 
 
 
MAS SEJA QUAL FOR
ESSE LUGAR,
QUEM O ESCOLHEU...
NÂO FUI EU!
 

 

 

 

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Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

SER

                                           Quando somos,

 

                           os outros divagam no erro!

 

                                  Mas como é bom

                                                 

                                        esse erro, 

 

                                                                                                                                     e ser!  

música: Caetano Veloso Nature boy
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Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

A MAIOR EMPRESA DO MUNDO

 

A maior empresa do mundo

“ Posso ter defeitos, viver ansioso
E ficar irritado algumas vezes,
Mas não me esqueço de que a minha
Vida é a maior empresa do mundo,
E que posso evitar que ela vá á falência.

Ser feliz é reconhecer que vale
A pena viver apesar de todos os desafios,
Incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas
E tornar-se num autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si,
Mas ser capaz de encontrar um oásis
No recôndito da sua alma.
È agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos,
É saber falar de si mesmo,
É ter coragem para ouvir um “Não”.
É ter segurança para receber uma critica,
Mesmo que injusta.

Pedras no caminho????????
Guardo-as todas….
E um dia vou construir um castelo….”

Fernando Pessoa
música: Mozart pisno concerto nº21 in c minor
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Quarta-feira, 5 de Novembro de 2008

MEU CREDO

 

NÃO CREIO EM NADA
QUE NADA NÃO SEJA,
NÃO CREIO EM MIM
QUE VIVO E QUE PENSO,
NÃO CREIO NO AMOR
QUE NADA DESEJA,
NÃO CREIO NUM UNIVERSO
BELO E IMENSO.
 
 
NÃO CREIO NA JURA
QUE POR DEUS É FEITA,
NÃO CREIO NA VERDADE
EM BOCA DE MULHER,
NÃO CREIO NA OBRA
QUE NÃO É CONTRAFEITA
NÃO CREIO NO REMÉDIO
QUE NÃO FAÇA DOER.
 
 
NÃO CREIO NA INOCÊNCIA
DA CRIANÇA DORMINDO,
NÃO CREIO NA ROSA
QUE ESPINHOS NÃO TENHA,
NÃO CREIO NA BELEZA
DA FLOR SE ABRINDO,
NÃO CREIO NO RICO
QUE DO POBRE NÃO DESDENHA
 
 
 
 
 
 
SÓ CREIO NO MAL
QUE A BONDADE ENCOBRE,
SÓ CREIO NA MENTIRA
DO QUE EM VÃO JUROU.
SÓ CREIO NO RICO
QUE FINGE QUE É POBRE
SÓ CREIO NA FANTASIA
QUE MEU SER ENVENENOU.
 
SÓ CREIO NA NUDEZ
QUE ESCONDE O PUDOR.
 
SÓ CREIO NO EGOÍSMO,
NO ÓDIO E NO MAL
SÓ CREIO NO DESEJO
QUE SE DISFARÇA DE AMOR
SÓ CREIO NO INSTINTO
DUMA VIDA ANIMAL.
 
ILUDIDO VIVI,
EM TUDO ACREDITEI
POIS HOUVE A FANTASIA,
QUE MEU MUNDO CRIOU
ONDE A VIDA ERA BELA
E COM AMOR SONHEI:
 
FUI O INGÉNUO
QUE AGORA JÁ NÃO SOU.
 
                    Jorge Santos(meu pai)
música: Deixa-me rir, Jorge Palma
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Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008

OS AMIGOS

Amigos, cento e dez, ou talvez mais

Eu já contei.Vaidades que sentia:

Supus que sobre a terra não havia

Mais ditoso mortal entre os mortais!

 

 

Amigos, cento e dez, tão serviçais

Tão zelosos das leis da cortesia,

Que já farto de os ver me escapulia

Às suas curvaturas vertebrais.

 

 

Um dia adoeci profundamente:

Ceguei. Dos cento e dez houve um somente

Que não desfez os laços quase rotos.

 

 

Que vamos nós (diziam) lá fazer?

Se ele está cego não nos pode ver!...

Que cento e dez impávidos marotos.

 

 

 

                                                              Camilo Castelo Branco 

música: you cant always get what you want
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Sábado, 2 de Agosto de 2008

CRIANÇA DESCONHECIDA E SUJA

Criança desconhecida e suja brincando à minha porta,
Não te pergunto se me trazes um recado dos símbolos.
Acho-te graça por nunca te ter visto antes,
E naturalmente se pudesses estar limpa eras outra criança,
Nem aqui vinhas.
Brinca na poeira, brinca!
Aprecio a tua presença só com os olhos.
Vale mais a pena ver uma cousa sempre pela primeira vez que conhecê-la,
Porque conhecer é como nunca ter visto pela primeira vez,
E nunca ter visto pela primeira vez é só ter ouvido contar.

O modo como esta criança está suja é diferente do modo como as outras estão sujas.
Brinca! pegando numa pedra que te cabe na mão,
Sabes que te cabe na mão.
Qual é a filosofia que chega a uma certeza maior?
Nenhuma, e nenhuma pode vir brincar nunca à minha porta.

Alberto Caeiro -Guardador de rebanhos

música: Mário Viegas-Alberto Caeiro-Guardador de rebanhos
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Terça-feira, 29 de Julho de 2008

POEMA EM LINHA RETA

POEMA EM LINHA RETA 

 
( Paulo Autran declama Fernando Pessoa)

 

 

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos de moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Pra fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes na vida ...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma covardia!
Não, são todos o Ideal, se os ouço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

música: Poema Em Linha Reta (Paulo Autran declama Fernando Pessoa
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Segunda-feira, 21 de Julho de 2008

A LENDA

 

Estava eu sossegado depois de um almoço de domingo em familia, sentado em frente ao computador a pesquisar "coisas" de Fernando Pessoa, quando me deparo, com um poema "a lenda" que ouvira há muitos anos em casa de um tio no Porto, da Maria Bethania. Não teria mais de dez anos, foi em 1975 e tinha-mos acabado de fazer a ponte aérea Luanda-Lisboa.Esse poema "a lenda" naquela voz da Bethania, com aquele fundo musical "até pensei" de Chico Buarque, ficou-me de tal maneira na memória, nos meus sentidos infantis, que marcou, posso-o afirmar, o inicio pela admiração por estas tres grandes pessoas. O Pessoa ele mesmo, a Bethania fabulosa e o Chico para mim o melhor compositor da MPB.

Como encontrei o poema e já tinha a musica da Bethania e por ser realmente um belo momento, aqui partilho no Conteudos.

 

A LENDA

 

Conta a lenda que dormia

Uma princesa encantada
A quem só despertaria
Um infante que viria
De além do muro da estrada

 

Ele tinha que ter tentado
Vencer o mal e o bem
Antes que já libertado
Deixasse o caminho errado
Por o que a princesa vem

A princesa adormecida
Assim espera, dormindo espera
Sonho em morte a sua vida
E orna-lhe a fronte esquecida
Verde uma grinalda de era

Longe o infante esforçado
Sem saber que intuito tem
Rompe o caminho enfadado
Ele dela ignorado
Ela pra ele ninguém

Mas cada um cumpre o destino
Ela dormindo encantada
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divíno
Que faz existir a estrada

E se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada afora e falso
Ele vem seguro
E vencendo estrada e muro
Chega onde em sonho ela mora

Inda tonto do que houvera
A cabeça em maresia
Ergue a mão e encontra a era
E vê que ele mesmo era
A princesa que dormia"

música: Maria Bethania-A Lenda(poema de Fernando Pessoa)
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Quinta-feira, 1 de Maio de 2008

OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO

Este poema que publico hoje,  por hoje ser o primeiro dia de Maio, da autoria de Vinícius de morais, é fabuloso. A declamação de Mário Viegas, põe-me os pelos em pé. A  imaginação de fazer este clip é do Sr. E. Almeida

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