Terça-feira, 29 de Julho de 2008

POEMA EM LINHA RETA

POEMA EM LINHA RETA 

 
( Paulo Autran declama Fernando Pessoa)

 

 

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos de moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Pra fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes na vida ...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma covardia!
Não, são todos o Ideal, se os ouço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

música: Poema Em Linha Reta (Paulo Autran declama Fernando Pessoa
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publicado por Jorge Santos às 19:30
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Segunda-feira, 21 de Julho de 2008

A LENDA

 

Estava eu sossegado depois de um almoço de domingo em familia, sentado em frente ao computador a pesquisar "coisas" de Fernando Pessoa, quando me deparo, com um poema "a lenda" que ouvira há muitos anos em casa de um tio no Porto, da Maria Bethania. Não teria mais de dez anos, foi em 1975 e tinha-mos acabado de fazer a ponte aérea Luanda-Lisboa.Esse poema "a lenda" naquela voz da Bethania, com aquele fundo musical "até pensei" de Chico Buarque, ficou-me de tal maneira na memória, nos meus sentidos infantis, que marcou, posso-o afirmar, o inicio pela admiração por estas tres grandes pessoas. O Pessoa ele mesmo, a Bethania fabulosa e o Chico para mim o melhor compositor da MPB.

Como encontrei o poema e já tinha a musica da Bethania e por ser realmente um belo momento, aqui partilho no Conteudos.

 

A LENDA

 

Conta a lenda que dormia

Uma princesa encantada
A quem só despertaria
Um infante que viria
De além do muro da estrada

 

Ele tinha que ter tentado
Vencer o mal e o bem
Antes que já libertado
Deixasse o caminho errado
Por o que a princesa vem

A princesa adormecida
Assim espera, dormindo espera
Sonho em morte a sua vida
E orna-lhe a fronte esquecida
Verde uma grinalda de era

Longe o infante esforçado
Sem saber que intuito tem
Rompe o caminho enfadado
Ele dela ignorado
Ela pra ele ninguém

Mas cada um cumpre o destino
Ela dormindo encantada
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divíno
Que faz existir a estrada

E se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada afora e falso
Ele vem seguro
E vencendo estrada e muro
Chega onde em sonho ela mora

Inda tonto do que houvera
A cabeça em maresia
Ergue a mão e encontra a era
E vê que ele mesmo era
A princesa que dormia"

música: Maria Bethania-A Lenda(poema de Fernando Pessoa)
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publicado por Jorge Santos às 18:38
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Quarta-feira, 16 de Julho de 2008

DIÁRIO DE UMA VIAGEM-CACHUPA

 

CACHUPA RICA
Ingredientes:

500g de frango
500g de carne de vaca de cozer
1 pé de porco
1 chouriço
1 morcela
1 farinheira
150g de toucinho
100g de banha
2 cebolas
3 dentes de alho
1 folha de louro
1 l de água, aproximadamente
0,5 l de milho
3 dl de feijão-pedra
3 dl de favona
4 folhas de couve portuguesa
300 g de batata doce
200g de abóbora
300 g de banana verde
1 ramo de salsa
sal e piripiri


Demolha-se o feijão e o milho. No dia seguinte, cozem-se. À parte, cozem-se as carnes e o toucinho. Noutro tacho cozem-se também as folhas da couve cortadas aos bocados, a abóbora em cubos e a banana às rodelas grossas. Leva-se um tacho ao lume com a banha, as cebolas e os dentes de alhos picados, a folha de louro e o ramo de salsa.
Logo que a cebola comece a ficar mole, misturam-se as carnes desossadas e cortadas ao bocados, e as hortaliças, tempera-se com piripiri e adiciona-se a água da cozedura das carnes e a água simples (para não ficar um caldo muito forte). Ferve um bocadinho em lume brando, para apurar.

Contribuição de: Ivonne Dias
djahqueens@mail.telepac.pt
(TIRADO DO SITE PORTUGAL EM LINHA-GALERIA-SABORES-CABO VERDE)

 

 

Confesso que tendo já algumas experiências com comidas Africanas, mas reconhecendo que há muita diversidade gastronómica em África como há na Europa, ou noutro continente, sempre ouvi e li muito sobre este prato nacional de Cabo Verde, e mal cheguei à ilha do Sal, ainda no aeroporto Amílcar Cabral o guia que nos aguardava para o transporte ao hotel em Santa Maria muito profissionalmente simpático com o senão de ser um fervoroso adepto do F.C.Porto (brincadeira...) foi logo nos informando do importante que era passar pela experiência de comer uma verdadeira cachupa rica com carnes variadas um pouco como o nosso cozido, Sendo a pobre feita com peixe. Claro que se essa ideia quase obstinada já me entusiasmava em Portugal, nem se fala no Sal. Aconteceu que, a minha companheira não tinha o mesmo entusiasmo que eu e por outro lado na maior parte dos restaurantes onde procurámos (menos os dos hotéis) só faziam esse prato para quatro pessoas e por encomenda ou seja: comecei a ficar um tanto ou quanto triste com uma perspectiva que não queria aceitar: a de não comer cachupa em Cabo Verde! Mas eis que encontrei a solução, num restaurante onde já começava-mos a ir com frequência,  vimos que a cachupa constava como prato do dia à sexta-feira em doses individuais, precisamente a nossa ultima sexta-feira na ilha do Sal. Devo dizer que foi uma dose individual generosamente bem servida  e que me soube divinalmente, uma mistura de sabores, desde as carnes ao peixe (sim levou peixe) ao milho, à batata doce á abóbora tudo estava uma delicia de aromas, de sabores, de cores! Valeu bem a pena o meu almoço de despedida, o jantar foi no mesmo local com um não menos expectacular arroz de marisco no dia 27 de Junho de 2008. Dia 28 já estava em Gaia.
 
O local foi este, chamava-se café criolo,  simples, diria simples demais para muita gente, mas muito acolhedor na forma familiar como éramos tratados!
 

  

música: Bana- Lua Nha Testemunha
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publicado por Jorge Santos às 16:39
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Segunda-feira, 7 de Julho de 2008

DIÁRIO DE UMA VIAGEM-SOS TARTARUGAS

 

Proponho-me, neste diário de viagem, ir relatando momentos vividos por mim e Lis ao longo do período por nós passado em Cabo Verde na Ilha Do Sal (21 a 28 de Junho de 2008). Com datas mas sem cronologia, vou escrevendo à medida que vou ou vamos nos recordando de momentos lá vividos, quer por textos, fotos, musicas, e até pequenos trechos de vídeos. E é assim que hoje escrevo sobre a nossa decisão de adoptar dois bebes, dois dias antes do nosso regresso!

Não se tratam de apenas bebes, mas sim de tartarugas bebes que escolhem as praias de Cabo Verde e principalmente as do Sal para aí depositarem os seus ovos, ate que estes ecludam e façam a sua caminhada até ao mar. Mas infelizmente muitas destas tartaruguinhas  não chegam sequer a nascer devido ao descuido e também à maldade daqueles que acham que tudo é para ser usufruído a seu bel prazer! Foi o acaso que nos fez cruzar num passeio marítimo de que falarei noutra altura, com um grupo que criou um viveiro(foto acima) para tentar preservar o nascimento das tartaruguinhas e o futuro das espécies, sim, espécies, porque não se trata apenas de uma espécie, das seis espécies de tartarugas marinhas existentes no mundo, cinco estão nas aguas de cabo verde. e foi assim que nos tornámos ou tornaremos a partir do dia 10 de Agosto os pais de um casal de tartaruguinhas que terão os nomes de Lucas e Inês, os nomes do nosso filho mais novo e neta mais nova!

Depois mostrarei fotos dos pequenos que a organização prometeu nos enviar por email e o mais importante: com este pequeno gesto demos uma pequena mas sincera contribuição financeira para que este projecto continue

            

      

                                                     www.sostartarugas.org                                            

                                                                       

                                                                       

 

                                                                       

música: Césaria Évora- Bô é di meu cretcheu
publicado por Jorge Santos às 14:02
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Terça-feira, 1 de Julho de 2008

DE VOLTA

Já cá estamos de volta trazendo um pedaço de Cabo Verde no coração, e com muita vontade de voltar! Num próximo Post Farei uma análise tão fiel quanto possível de tudo o que vimos, sentimos, cheiramos, comemos. O meu turismo sempre foi um turismo afastado dos Resorts com pulseirinha no pulso, tipo tudo incluído num gheto, e desta vez não fugiu à regra um hotelzinho simpático e acolhedor perto do centro e da praia e deambulações pelo coração do povo, o que realmente conta! Bem depois contarei mais do que vivemos na Ilha Do Sal 

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publicado por Jorge Santos às 16:59
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