Domingo, 24 de Fevereiro de 2008

MEU PAI

                                                                                 

                1931-1997

                                                      

   JORGE MANUEL MOREIRA SANTOS

 

                                                                           

 

TENHO ÂNSIA DE VIVER

DE SER FELIZ.

E TUDO FAÇO PARA O SER

SEM TER

NUNCA O QUE QUIS .

 

E O QUE NÃO QUERO

TENHO DEMAIS.

MAS O QUE TENHO

NÃO É MEU:

É DE OUTRO SER

QUE NÃO SOU EU.

 

CHORO SEM GEMIDOS,

EM SOLUÇOS

SUFOCANTES,

DE RAIVA,

DE DESESPERO,

SEM FORCA

P'RA CONTINUAR

A TENTAR.

 

SONHOS QUE SONHEI,

HISTÓRIAS QUE FANTASIEI

PARA FUGIR À VERDADE

DA FRAQUEZA DO MEU SER!

 

CASTELOS

CONSTRUIDOS NA AREIA

DE UM MAR

SEM SEREIAS.

 

MEU CORAÇÃO BATE

MAIS FORTE

E MEU PULSO SEGURA

MAIS FRACO:

NÃO CONSIGO AGARRAR,

PRENDER,

RETER

O BOM, O BELO, O FELIZ

QUE COM ASAS DE BORBOLETA

PASSA NUM ESVOAÇAR

SALTITANTE.

 

NO MEU PEITO

O SOLUÇO ANGUSTIANTE

NOS MEUS OLHOS

A LÁGRIMA

QUE NÃO QUIS .

 

E, AGORA,

UM ADEUS,

UM IR EMBORA

DE AO PÉ DOS MEUS

QUE DEIXARAM DE SER MEUS.

 

QUE COM DEUS FIQUEM

E EU QUE VA COM DEUS

música: Eric clapton-Tears in heaven
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Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2008

MEU PAI

                                                                                

QUE ACONTECE A QUEM NÃO SOUBER DANÇAR O MERENGUE 
 
-Você já sabe as últimas?
-Quais últimas ?
-Parece que houve uma grande operação militar no Leste. É claro que nunca se sabe, ao certo, o que se passa, mas dizem que foi uma coisa em grande: muitos feridos e mortos de parte a parte.
 
Mortos e feridos, de lado a lado e, lado a lado, a verdade e o boato...até quando ?
 
-O Marcelo é que não pode. Se ele pudesse, já tinha concedido a autodeterminação , pelo menos.
-Concedia o quê?! Não faz outra coisa senão fazer comerciais, de si-mesmo , com os seus "serões em família" na Tv. ., pretendendo nos ensinar a fazer palavras cruzadas, tendo como dicionário a Constituição.
 
Era uma alusão ao sucessor de Salazar que, ao contrário daquele, não conseguiu manter o poder centralizado nas suas mãos. Dependia, essencialmente, do partido do Governo , do qual se fizera presidente o próprio Presidente da Republica, sempre rodeado pelos velhos conservadores da ditadura salazarista.
 
Por causa desse enfraquecimento, Marcelo Caetano mantinha um programa na televisão com o objectivo de demonstrar que estava de mãos amarradas e que nada podia fazer.
 
Por outro lado, a Constituição de 1933, considerava as colónias como "Províncias Ultramarinas" as quais era partes indivisíveis, e não alienáveis de de Portugal. Daí, a impossibilidade constitucional de qualquer negociação, visando a concessão da independência.
 
-Não digo que ele seja um progressista ou mesmo um liberal! Mas que ele já demonstrou ter desejos de dar ao Povo uma maior abertura, isso já!
 
-A qual Povo ? Ao de lá ou ao de cá? Aí é que está o problema. Ele é tão bom quanto o outro que morreu!
 
De copo na mão, escutava, em minha casa, aquela discussão entre um grupo de convidados. Estávamos em Março de 1971, era Aniversário de minha filha, era dia de Festa, e como odiava aquelas conversas que me irritavam e inquietavam
 
Vocês desculpem, mas vamos animar a "farra" e acabar com esse "papo" que só tristeza nos dá ?-sugeri com um ar de quem não está mais disposto a escutar tal assunto.
 
Certo. Saia um merengue que isto anima já.
 
Pús o merengue no toca-disco e o efeito foi electrizante: toda a gente começou a dançar , em circulo, formando uma clareira convidativa da umbigada. De repente, ouviu-se uma voz, logo secundada por muitas mais:
 
-Manuela ao meio! Manuela ao meio!
 
E a Manuela foi. Toda ela era ritmo e sentido musical. As mãos, em movimentos e gestos redundantes, convidavam, à vez, o par masculino a que o corpo, nos seus requebros e ginga, se esquivava para, depois, se entregar numa umbigada cheia de sensualidade, cheia de provocação.
 
Chegou, por fim, a minha vez. Fui e tentei fazer o meu melhor, mas não consegui mais do que ser fintado, várias vezes, acabando por perder o ritmo e tentar a umbigada fora do tempo.
 
Todo o mundo riu do meu descontrole e rindo, Manuela me castigou:
 
-Vai "mano", vai mas é dançar o vira. Merengue não é para toda a gente! Bem se vê que Você não é de cá!  
 
UM EUROPEU AFRICANO E AFRICANOS EUROPEUS
 
Novembro de 1974. Tinha chegado a Londres, por conta da Shell , para frequentar um curso profissionalizante e ali estava eu, cheio de contentamento, no hotel, aguardando que me confirmassem a reserva feita com larga antecedência.
 
-Qual é mesmo a sua procedência, "Mister" Santos?
-Angola, África .
África ?
-Sim, África . Existe algum problema?-perguntei receoso de que não houvesse nenhuma reserva.
 
-Não, está tudo em ordem; é que esperávamos ver chegar uma pessoa de côr negra. Me desculpe, Senhor!
 
Depois de me ter instalado, saí, sob uma chuva miudinha, para relembrar aquela cidade que, anos antes, tanto me tinha agradado. E encontrei, de novo, um povo heterogêneo em côr e raças.
 
Mais tarde, tive a oportunidade de travar conhecimento com um individuo de côr negra. Quando me apresentei, fi-lo com toda a naturalidade, dizendo que era africano de Angola -uma pequenina mentira que sentia prazer em dizer, pois, eu não era africano mas sim africanista. Por sua vez, o meu novo conhecimento, depois de rir um pouco, confessou que era africano, nascido em Londres!
 
Daí em diante, comecei a admitir o princípio de que, com toda a certeza, a maior parte daqueles indivíduos, de raça não europeia, teria nascido na Inglaterra ou, pelo menos, já se considerava inglesa.
 
E como chamar a essa situação, a esse aumento crescente de povos afro-asiáticos nos países Europeus ? Creio que nunca ninguém pensou em chamar-lhes " colonos", pelo menos àqueles proprietários de restaurantes ou de minimercados, que de extracto social explorado, nada têm. "Colono" foi palavra inventada para "branco", mesmo que na colônia seja tão explorado quanto os naturais da terra.
 
Interrompendo estas cogitações, comprei o jornal e fiquei logo angustiado por ler, na primeira página, que tinha havido forte tiroteio em Luanda, no fim de semana, havendo mortos e feridos mão confirmados. Apressei-me a regressar ao hotel, com um mêdo estranho, dentro de mim, como se aquele ataque estivesse para vir na minha direção. Quando lá cheguei, um dos convivas interrogou-me:
 
-Já leu as últimas notícias sobre os acontecimentos na sua Terra ?
-Onde, em Portugal?-perguntei mais angustiado, ainda!
-Nào, em Angola. o Senhor não é angolano ?
-Desculpe, mas estou nervoso: tem razão, sou angolano 
 
A DUVIDA
 
Entretanto, ocorrera o golpe de estado em Portugal e deixara de vigorar a Constituição de 1933, o que iria permitir a negociacão da independência das tais Provincias Ultramarinas , e a negociação, para Angola, ocorreu na reunião do Governo com os liders dos Movimentos Terroristas, agora chamados "nacionalistas": A Cimeira do Algarve".
 
Um dia. ligando o rádio, ainda fui a tempo de ouvir parte do que tinha ficado a constar no Acôrdo do Alvôr quanto à definicão de angolano:"...e todos aqueles que, estando radicados em Angola, optem pela nacionalidade Angolana.
 
Mas. alguns dias antes, lera que terminara o prazo para o recenseamento dos portugueses " ultramarinos" para efeitos da eleição da " Constituinte", em Portugal, e que todos aqueles, que não se tivessem recenseado, seriam considerados como tendo optado pela nacionalidade Angolana.
 
Ora, eu não me recenseei e, portanto e em princípio, já deixei de ser, em direitos políticos, cidadão Portuguêws, sem que tenha ainda chegado a altura de poder dizer:Sou Angolano.
 
Faltava um ano para a independência e ia começar a guerra civil.
 
Disse para mim: No final, passei vinte anos com dupla nacionalidade, com duas "terras", para chegar ao ponto de duvidar se terei "terra" alguma! 
 
O ADEUS
 
A pouco e pouco, a cidade foi ficando despovoada: todos os dias, mais alguém que partia. E nas ruas, as forças militarizadas, dos movimentos nacionalistas, encobriam toda a alegria daquela cidade linda, de acácias "rubras como beijos de amor"
 
Durante a noite, o refúgio dentro de casa e um sono impossivel de conciliar com o explodir das granadas e o cantar incessante das metralhadoras. Iniciava-se o dia cheios de angústia, de incerteza quanto ao desenrolar de mais uma jornada em que, por sua vez, a angústia aumentava com a expectativa de mais uma noite de guerra.
 
Agora, não era mais o terrorismo, mas a guerra civil: não contra nós, mas contra eles mesmos.
 
" Ai Luanda, meu berço de encantar, com palmeiras sobre o mar!" -
 
Como em tão curto tempo parecia ficar distante esse outro tempo em que o poeta cantava:
Tens tudo,
pregões e cantigas,
tens choros e brigas,
e o luar!
Batucadas nas noites
perdidas,
a beijar-te com fúria
e carinho,
tens o mar!...
 
Igualzinho a nóss os dois,
meu Senhor,
tal e qual o amor!...
 
Agora, nada mais és do que ódio, desespêro e mêdo
 
E o dia, com hora marcada, chegou. Olhei, demoradamente, os móveis da casa, como se fôssem seres humanos, num adeus -para sempre !?, com as lágrimas teimosamente rolando pelo rosto. Fechei a porta de casa: um epílogo de uma pequena história de 20 anos, com um final não previsto.
 
Nas mãos carregava uma pequena valise; no bolso, a passagem de volta. Para onde? Para a minha terra: Portugal
 
 
TRISTEZA
 
 
Depois do alivio e da alegria da chegada, a tristeza duma realidade. Onde estava o meu Portugal alegre e gentil, garrido e acolhedor?
 
Vivia-se, ainda, a euforia da Revolução, euforia que ocasionava instabilidade política e dava novos valores à sociedade, numa rejeição, total, pelos valores tradicionais. Mas, se nessa euforia as coisas corriam mal, a culpa era sempre dos " ultramarinos".
 
Recebemos uma classificacão e, com ela, uma segregação: éramos os "retornados", uma espécie de casta não desejada e que representava uma ameaça para a crise de desemprêgo que se agravava.
 
Quanta riqueza que os trabalhadores brancos, êsses retornados, tinham permitido que os investidores metropolitanos tivessem arrecadado, ao longo dos anos de colonizacão, para, no final, ninguém ter a iniciativa de um gesto de solidariedade.
 
Os galpões do aeroporto estavam todos lotados com "retornados",que não tinham para onde ir e que ali viviam, em condições precaríssimas, à espera de qualquer solução que melhorasse tão desesperada situacão.
 
No porto de Lisboa, quilómetros e quilómetros de áreas cheias de malas, caixotes e atados, à espera de dono, e cheias de donos que ali iam, dia após dia, à espera de sua bagagen!
 
E, por toda a parte, de norte a sul, a mesma sensação de mal estar. Era como se toda a gente nos olhasse e dissesse: " E, agora, que quer Você? Quem o mandou ir para lá? Bem feito! Roubou o negro, agora tem o castigo! E não pense que vem roubar o pão dos de cá!"
 
"Retornado" era de "lá", não mais de cá". E eu senti que não tinha retornado a lado nenhum: estava, ainda, em trânsito, no meu regresso, em busca da "minha terra" 
 
TERMINO DE UMA VIAGEM(?)
 
E a moeda foi jogada ao ar: cara ou coroa ? Era uma moeda antiga, do tempo de D.João, e não tinha coroa, mas tinha, gravada em relêvo, a Cruz de Cristo, simbolo lusitano nas caravelas de Cabral; e do outro lado, a célebre frase que apareceu, no céu, a Carlos Magno, na véspera da batalha que venceu: ïn hoc signo vinces"-por este sinal vencerás.
 
Então era isso: a rota de Cabral. Aliás, o BRASIL fica mesmo em frente"-dizia, em Luanda, um "outdoor" da Varig.
 
E ficava, ficava em frente e mesmo muito pertinho. Pertinho pelos laços históricos, pertinho pela língua comum; pertinho pelo clima; pertinho pelo calor e comunicabilidade humana.
 
E vim. E durante o vôo alguém me avisou:
 
-Cuidado quando Você descer no Galeão...
-Porquê-indaguei surpreso e apreensivo.
-É que, antigamente, carioca ia ao Galeão para ver avião; agora está indo para ver a côr do Português quando foge.
 
Foi o meu batismo na piada do "português. Mas, afinal, eu era igualzinho a eles na côr e, a comer farofa, logo no primeiro dia:
 
-O Senhor é Portugês-perguntou o garçon.
-Sou, porquê?
-É que o Senhor gosta mais de farofa do que o carioca!!!
 
Mas gostoso, foi no banco, na hora de trocar o meu dinheiro:
 
-Você não quer abrir uma conta?-perguntou a funcionária sorridente.
-Não, não quero.
-Então Você vai gastar, já, esse dinheiro todo?
-Talvez-disse brincando e acrescentei:-não vim para ficar; vim só para ver...
-Você não veio ver, não e você vai ficar. Quando olhar bem para as cariocas...eu vou-te contar...
 
Eu vou-te contar, minha irmã brasileira: eu olhei para cariocas; eu olhei para paulistas; eu fui sempre olhando, pela rodovia, desde o Rio até Belém; eu continuei olhando em Manaus e sabe?,Não vi nada diferente: era como se estivesse em "casa" com alguém me sussurrando no ouvido: Fica, tua "terra" é esta.
 
E FIQUEI.MINHA VIAGEM DE PORTUGAL PARA O BRASIL, COM UMA PEQUENA PARADA EM ANGOLA, TINHA CHEGADO AO FIM. 
 

 

música: Frank Sinatra-My way
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Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008

MEU PAI

                                                                                     UM POUCO DE HISTÓRIA-2

 

Quando cheguei a Angola constatei, com uma certa satisfação, que a famigerada P.I.D.E Policia Internacional e Defesa do Estado) se preocupava mais com o crescente nacionalismo negro do que com a repressão às opiniões adversas à ditadura de Salazar.

 

Com efeito, com o início da concessão da independência, por parte da Inglaterra às suas colónias em África, a que se seguiu a independência das possessões francesas e belgas, começou a ganhar expressão o sentimento nacionalista angolano

 

Este nacionalismo incipiente, começou a ser desenvolvido por um grupo de negros de educação de nível superior, obtida nas universidades portuguesas, como era o caso dos médicos Agostinho Neto e Américo Boavida, do advogado Diógenes Boavida e dos irmãos Pinto de Andrade, para citar, apenas , alguns dos principais nacionalistas.

 

Quem conhecer bem a índole do Português, sabe, perfeitamente, que é um povo por natureza "não racista", sendo gentil e carinhoso. Então, em Angola, não havia nenhum problema de racismo como existia no Congo Belga e na África do Sul e Rodésia.

 

A população de Angola era constituída por uma maioria negra assustadora e uma minoria branca algo etilizada : não se podia ir para Angola de qualquer maneira: teria que haver a responsabilidade de uma empresa local que garantisse o emprego e a passagem de retorno no caso de seu empregado adoecer, ou mesmo morrer, ou de não comprovar as suas anunciadas aptidões.

 

Havia, sim, a exploração capitalista que atingia todo o mundo, e o negro, constituindo , na maioria, a classe mais baixa, era o que sofria mais na pele essa exploração capitalista.

 

Por outro lado, algumas culturas tinham, por parte do Governo, um tratamento de protecção diferenciada consoante se tratasse de cultivador branco ou  negro.

 

O escândalo maior estava no algodão, cuja exportação para Portugal estava entregue a um monopólio que se estendia à própria venda do produto no mercado internacional.

 

Certa feita, um grupo considerável de agricultores negros, não concordando com o preço de venda ou com o salário, resolveu não fazer a colheita, preferindo perdê-la. Como represália e conforme notícia que corria na época, o monopolista afretou um avião e mandou metralhar os grevistas.

 

Este evento teve uma má repercussão em todos os sectores da população e deu origem a que o "grupo", acima referido, se deslocasse a Lisboa para apresentar o seu protesto ao Sr.Presidente do Conselho de Ministros que, em resposta, ordenou a detenção de toda a comitiva, para, mais tarde, facilitar a sua fuga para o exílio.

 

E assim nascia, no exílio e com o apoio dos países do leste Europeu, o "Movimento para a Libertação de Angola-MPLA ".A primeira acção terrorista deste movimento, deu-se no dia 4 de Fevereiro de 1961, quando atacaram uma cadeia objectivando a libertação de presos políticos.

 

O MPLA tendo recusado o apoio dos países, do resto da Europa, que por sua vez estavam desejosos de pôr, de novo, o pé em África, ensejou a que surgisse um segundo movimento nacionalista, de forte carácter terrorista:-o FNLA (Frente Nacional para a Libertação de Angola) que, em meados de Março , desencadeou massacres violentos entre a população do Norte, branca e a negra, que não tivesse aderido às suas cores .

 

Mais tarde, e por dissidência interna, o Dr. Savimbi separou-se do MPLA e formou a UNITA cujo quartel general estava no interior das matas do leste Angolano, enquanto que o dos outros movimentos se instalavam no solo tranquilo do continente europeu.

 

Estes três movimentos nunca conseguiram uma união entre-se , pelo contrário,guerreavam-se , sempre que se encontravam e, inclusive, em certos pontos do país, defendiam os fazendeiros brancos dos ataques de qualquer movimento rival.

 

E não fora assim, não teria havido a possibilidade de uma resistência a  êsse terrorismo durante tantos anos. Era um nacionalismo atípico, um terrorismo de todos contra a população e exército "branco" e guerra civil entre os movimentos.

 

Esta situação manteve-se até 1974, quando conseguiram um ano de autonomia como treino para a independência que seria concedida no ano seguinte, e, a partir deste evento e na disputa do poder, a guerra civil entre os três movimentos deflagra de uma maneira generalizada, mas com muita violência, nas principais cidades, principalmente na capital, Luanda.

 

E, a pouco e pouco, começaram a deixar de haver condições, mais de subsistência do que de sobrevivência, tanto para o branco, quanto para o  nêgro , quanto, ainda, para o mulato. E cada um começou a regressar à sua terra de origem:: os do Norte fugindo para o Norte, os do Sul para o Sul, os europeus para a Europa, enfim, cada um ia para onde julgava estar a salvo.

 

Luanda bem depressa ficou deserta, parecendo uma cidade fantasma, principalmente à noite, quando os prédios se erguiam em direcção do céu escuro, como breu, sem qualquer luz que saísse das janelas, agora trancadas, com as portas de madeira fechadas pelo lado de dentro das vidraças .

 

Era, paradoxalmente, o fim de uma colónia e de um novo país

 

DESLOCADO 

1962 tinha sido o ano do deflagrar do terrorismo, mas, nem assim, pensava abandonar Angola. Neste ano, porém , e oito anos após ter partido para Luanda, as saudades eram muitas e fomos passar algum tempo, de férias, em Coimbra

 

-Então, filho, vocês ficam cá, não ficam?

-Mas porquê, Mãe?

-Aquilo, lá em Angola, está tão mau! Não basta já vos terem morto um parente?

 

Minha mãe referia-se ao assassinato de um dos meus cunhados, ocorrido  numa fazenda de café, no norte de Angola, por altura dos massacres de Março.

 

-Mãe, não falemos mais nisso. Chego a ter medo de viver naquela incerteza e insegurança e não me faça lembrar coisas tristes.

 

-Mas, Vocês podiam cá ficar...competente como és, também arranjavas emprego ...

-Emprego arranjava! Mas isto aqui já não é a minha terra. Falo sério. Sinto-me um estranho: falta-me o sol, o calor, as distâncias grandes, eu sei lá mais o quê!... Aqui, temos os mesmos negros que temos lá, só que têm pele branca. E, até quando, os de cá, irão aguentar a miséria, a exploração em que vivem ? Hoje, Mãe, já ninguém sabe onde se está bem!

 

-Talvez tenhas razão-aquiesceu e continuou:

 

-Mas eu é que não conseguiria viver nessa terra depois do que aconteceu.

 

-Sim, Mãe, foi horrível o que aconteceu e está acontecendo. Morrem inocentes de ambos os lados num terrorismo que podia ter sido evitado. Se as coisas tivessem sido feitas de outra maneira, em vez de terrorismo haveria um movimento pró-independência, com quase toda a população branca aderindo a esse movimento. Seja como for , Mãe!, no dia em que deixei Coimbra , nos dias em que meus filhos nasceram naquela terra, Angola passou a ser a minha terra, também.

 

MInha Mãe ficou, por alguns momentos, calada com ar triste. Depois vendo-me vestir o paletó, perguntou-me, num tom ainda mais triste:

 

-Vais sair ? Estás zangado?

-Não. Vou, apenas, dar uma saudinha : recordar velhos tempos no Centro.

 

 

Era a primeira vez que visitava Coimbra depois de uma ausência de oito anos. No centro da cidade, encontrei alguns amigos, de tempos idos, que olhavam para mim com curiosidade, para a minha pele escura, para o meu ligeiro sotaque de africanista. Pediam-me para lhes falar do terrorismo. Mas para quê falar-lhes ? Contar-lhes o quê ?

 

Aqueles dias de Março , milícias organizadas, pseudo armadas, contra um inimigo escondido sempre em qualquer lugar... Noites passadas em claro, de armas na mão (que não disparavam de velhas que estavam!), interrogando os negros que passavam no meio da noite:

 

-Vocês donde vêm ?

-Do Matadouro ...

 

ou

 

-Vocês para onde vão ?

-A gente vai para o matadouro , trabalha lá.

 

E quantas vezes se comentava:

 

Eles parecem que têm mais medo do que nós!

 

-Mais medo do que eu é que não têm: eles são muitos e nós  somos poucos e estamos, para aqui, abandonados pelo Governo , pagando um pato que não comemos!

 

-Isto não é por culpa do Governo: é uma evolução histórica, cíclica , a que os governos colonizadores não conseguem furtar-se.Pequenas nações são conquistadas, formando grandes impérios que, mais tarde, se fragmentam em pequenas nações  recomeçando o ciclo ...

 

-O Senhor fala bem e bonito...aqui! Mas, gostava de o ver falar lá no interior, na mata, onde as coisas estão bem "quentes"...

 

-Mas, se Você tem, assim, tanto medo , porque^ não vai embora?

 

-Seria bom, só que não tenho para onde ir: a minha terra é esta; nasci aqui.

 

Quantas vezes diálogos como este eram escutados, e outros, dos quais se poderia concluir que, para nós, brancos em Angola, havia dois inimigos: o terrorismo e o Governo Português que tardava em conseguir uma solução.

 

Para quê, pois, falar, em Coimbra, aos meus "amigos" de Portugal, sobre o terrorismo em Angola? Qual a dúvida que não ficaria esclarecida ? Qual a verdade que não lhes seria contada? Qual a mentira em que melhor acreditariam?

 

Mais tarde, já em casa, minha Mãe voltou ao assunto dizendo;

 

-Quer dizer que voltas para lá ?

 

-Sim, volto.

 

-Pois é: aquilo já é a tua terra... 

música: Perry Como-Mi casa su casa
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Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008

MEU PAI

Fevereiro, era o mês de nascimento do meu pai que morreu há dez anos em Manaus, o ultimo lugar onde vivemos juntos.

A falta que dele sinto aumenta na proporção do avanço da minha própria idade!

Por achar que ele tinha muito jeito para pensar criativamente, e escrever com muita vontade tanto de uma forma criativa como de uma forma que relatava lucidamente o seu mundo, o mundo em que vivia, vou publicar aqui alguns dos textos que ao longo da vida foi escrevendo e o farei até ao dia vinte e quatro de Fevereiro dia do seu nascimento. Se fosse vivo teria .apenas setenta e sete  anos

                                                                                                            

                                                                 

 

 

 

 

 

 

DE PORTUGAL PARA O BRASIL COM  UMA PARADA EM TERRAS AFRICANAS            

              1ª.PARTE:-SEM IRONIA E SEM ALEGRIA

 

 

                        1-UM POUCO DE HISTÓRIA...

 

                        2-A TOMADA DE UMA DECISÃO

 

                        3-BATISMO

 

                        4-ONDE SE FALA DE PERFUMES

 

                        5-UM POUCO DE HISTÓRIA-2

 

                        6-DESLOCADO

 

                        7-SÓ PORQUE NÃO SABIA DANÇAR O MERENGUE

 

                        8-EUROPEU AFRICANO OU VICE-VERSA

                   

                        9-A DÚVIDA

                

                        10-O ADEUS

 

                        11-TRISTEZA

 

                        12-TÉRMINO DA VIAGEM

 

DE PORTUGAL PARA O BRASIL

 

1ª.PARTE 

 

         Coisas que eu não queria recordar

 

UM POUCO DE HISTÓRIA

 

Quando em 1927 Salazar assumiu, em Portugal, o Ministério das Finanças, o país encontrava-se numa situação financeira caótica devido à instabilidade dos governos parlamentaristas aanteriores.

 

Salazar teve o grande mérito de restabelecer a credibilidade de Portugal junto ao Povo e junto aos credores internacionais ganhando, com isso, um prestígio interno tão grande que lhe permitiu apossar-se do poder através de um golpe legislativo: a Constituição de 1933.

 

Ao abrigo dos dispositivos legais, foi criado um Conselho de Ministros, de que Salazar passou a ser o presidente; os ministros, que o constituíam, eram nomeados pelo Presidente da República, por sua indicação. 

 

Deste modo, Salazar passou a governar o país, passando o Presidente da República a ser uma figura meramente decorativa. Por outro lado, existia um só partido político:-o do Governo, de que Salazar era o presidente.

 

A grande competência e inteligência de Salazar nunca foram contestadas e era um homem extremamente honesto, humilde e religioso.

 

Celibatário, levava a vida de um monge, não perdendo por esse fato, a visão do mundo da sua época. Apostou no nacionalismo forte do nazismo e organizou, politicamente o país com base nos princípios do fascismo italiano.

 

Austero, de linha conservadora, não admitia, em absoluto, nada que pudesse abalar a estrutura do sistema por ele criado. Para sua melhor segurança criou uma polícia: A Policia Internacional e Defesa do Estado, a célebre P.I.D.E. que só perdia para a Gestapo de Hitler, na eficiência em como obtinha confissões de crimes ou pseudo crimes políticos.

 

Era um orador excelente e a eloquência da sua oratória conseguia entorpecer o povo que acabou por consentir na sua castração política, numa cirurgia sem dôr.

 

A ditadura de Salazar arrastou-se por mais de três décadas e, por sua morte, assumiu o Governo, o Professor de Direito, Marcelo Caetano, cria da casa, mas mais liberal, e que iniciou, por assim dizer, um processo de democratização do país, não conseguindo, no entanto, evitar o Golpe de Estado de 25 de Abril de 1974.

 

Eu nasci em 1931 e, durante as décadas seguintes, a crise portuguesa nunca foi financeira, mas de desenvolvimento industrial que os Americanos, no seu próprio interêsse, promoveram no mundo, principalmente ao abrigo do Plano Marshal, plano de ajuda aos países partícipes da 2ª. Guerra Mundial. Espanha e Portugal ficaram, por isso, do lado de fora e com uma dependência, muito grande, dos países que tinham recebido a ajuda americana.

 

A crise, portanto, era de falta de crescimento, provocando uma situação de sub-emprêgo e a solução, para fugir a essa situação, era a emigracão para as colônias, para o Brasil e EUA.

 

E para não fugir à regra, meus irmãos, mais velhos, foram os primeiros a partirem para África (Angola). Mais tarde, em 1954, e desistindo da faculdade de direito, em Coimbra, fui eu que parti, meio na aventura, sem emprêgo, contando, apenas, com a ajuda valiosa dos irmãos que, naquela terra africana, já tinham constituído  suas famílias e consolidado as suas posições.<p,pp>

 

<fnTOMADA DE UMA DECISÃO 

Era já  fim de tarde, a luz do dia desaparecendo e meu Pai continuava silencioso, sentado, bem ali na minha frente, aparentemente absorto na contemplação do cigarro que, repetidas vezes sacudia no cinzeiro.

 

Tinha acabado de lhe anunciar a minha decisão de ir para Angola e eu sabia o quanto isso lhe iria custar em saudades e tristeza. Foi então que quebrou o silêncio:

 

-Bom: nem sei que dizer quanto à tua decisão. Gostava que tirasses um curso superior, mas, nesta terra, não faltam "doutores". E, depois -quem sabe?-posde ser que não venhas, nunca, a sentir a falta dêsse título. O que me custa é ires para tão longe.

 

-Pai, é longe, sim, mas não volto atrás com a minha decisão, embore me custe muito deixá-los aqui sòzinhos. -Meu Pai cortou imediatamente:

 

-Não há-de ser nada, não: acho até que fazes bem em ir. Isto aqui é uma trampa: futebol, fados e discursos e mais discursos, evocando feitos, de grandes portugueses, na boca de quem devia envergonhar-se da miséria em que vivemos. Somos um país sem qualquer prestígio entre os restantes.

 

Tentei discordar, embora soubesse que nada adiantaria. Conhecia bem as convicções de meu Pai, tantas e tantas vezes debatidas, no lusco-fusco dos fins de tarde:

 

-Pai, olhe que não é assim tão mau como diz. Não é aquilo que desejávamos que fôsse, mas é muito melhor do que outros paíse que foram igualmente grandes num passado histórico...

 

-Não sei em quê!-atalhou meu Pai e continuou- a questão é que tu nasceste dentro do regime, já és um produto do sistema e, por isso, não sentes tanto a castração como eu a sinto.-silenciou por uns momentos, pisou o cigarro no cinzeiro e continuou:-

 

-Olha: o meu maior desgôsto é o dos meus filhos terem nascido num regime de escravatura, uma escravatura imposta por um homem que se divinizou e que, em vez de dioptrias,põe utopias nas lentes dos óculos com que analisa os problemas do nosso país.

 

-Eu até o acusava de ser conservador demais... É a isso que o Pai chama utopia?-indaguei meio irónico !

 

-Não é a isso, não: utopia é tentar convencer um povo a viver feliz e a considerar-se desenvolvido, contando-lhe as glórias do passado, quando, no resto do mundo, os outros países já guardaram, há muito, essas glórias nos museus  ou em bibliotecas e falam ao povo àcerca de seus planos para futuro.-e continuou todo empolgado:-

 

-Utopia é pretender manter um império colonial à custa de discursos de conteúdo histórico e de frases bombásticas e, na realidade, manter êsse império num estágio primário de agricultura, com tanto potencial para ser desenvolvido.

 

Parando de falar, olhou para o relógio: eram horas de fechar o estúdio. Levantou-se e, dirigindo-se para a porta, foi dizendo:

 

-Por isso é que prefiro que vás. Angola virá a ser um grande país, embora demore ainda algum tempo. Mas, mesmo assim, e até lá, creio que vais respirar um ar de mais liberdade do que aqui. Aquilo é terra para gente nova como tu.

 

E, voltando-se para mim, com o indicador apontado na minha direção, terminou num tom de conselho:

 

E, olha: só se te deres mal de saúde, caso contrário, vai e nãao penses mais "nisto

 

BATISMO

 

Estava-se em Fevereiro de 1955: fazia um mês que tinha chegado a Luanda e o ambiente que encontrei foi muito acolhedor. Muitos amigos de meu irmão iam até nossa casa para me conhecerem e darem as boas-vindas, com toda a simpatia.

 

Um dia, um dêles, entrou pela porta,sem bater e, ao ver-me, foi logo dizendo:

 

-É pá! Este é que é o teu irmão?-Meu irmão sorriu e fez a apresentação aquele seu amigo, que me observou dos pés à cabeça e, não tendo gostado do que viu, exclamou com ar gosador:

 

-Puxa! Olhem para a côr dêle! Se eu sou "café com leite",Você é mesmo leitinho de primeira!?

 

-O remédio é fácil: basta eu ir à praia dois dias seguidos, que já ficarei com uma côr igual à sua.-disse tentando aparentar uma calma que, na realidade não tinha.

 

-Tens que ir é beber água do rio Bengo; enquanto não fores, não podes considerar-te africanista. Lá é que será feito o teu batismo!-obervou meu irmão associando-se à brincadeira.

 

-Estás doido-interrompeu Pedro cheio de entusiasmo.-Qual água do Bengo! Ele vai ser batisado à minha maneira e por um padre muito especial. Jorge, vem daí comigo.

 

Mobilizado pelo seu ar decidido, nem tive tempo para recusar o convite. E fui com Pedro, moço africano, da minha idade, de ar jovial e brincalhão.

 

Entramos no carro e, deixando o asfalto, embrenhamo-nos no emaranhado das ruas dum " muceque", nome que lá se dá à favela.

 

-Para onde vamos?-perguntei meio receoso.

-Não tenhas mêdo: vais conhecer a minha lavadeira. Ela é que te vai batisar, ela é que te vai dar o alvará de africanista. Vais ver que vale muito mais do que qualquer uma dessas branquelas a que estás habituado.

 

Parámos à porta de uma "cubata" e Pedro chamou a Maria, com quem falou em voz baixa. Ela fez que sim com a cabeca. Depois entrei na "cubata" e Maria começou a tirar a  roupa.

 

-Não Maria, Você não precisa  despir-se, eu não quero nada, não.

-Ué? Eu não presta, menino?-perguntou com ar angustiado.

-Não é nada disso: Você é boa.Só que agora não estou afim. Tome: isto é pra Você.

 

Sai acompanhado de Maria que, com ar atónito, olhava para mim e para a nota que eu lhe deixara na mão.

 

Pedro, ao ver-me, exclamou:

 

É pá! Isso foi mais rápido do que um coelho! Maria, como Você o despachou tão depressa?

 

-Menino: ele não fornicou não; só deu dinheiro pra mim!

 

Entramos no carro. Pedro nada comentou até chegarmos a casa, mas, aí, encarou meu irmão, com um ar consternado, e disse, deixando-se caír no sofá: pô! Podias ter avisado que teu irmão era racista!!!

 

ONDE SE FALA DE PERFUMES

 

Parecia que a minha ida para Angola tinha sido um exemplo seguido por muitos amigos meus. Mera coincidência, é claro,mas a verdade é que, constantemente, ia encontrando velhos amigos da minha saudosa Coimbra. E, um dia:

 

-Jorge? Jorge!

 

-Olá, Carlos,também tu?

-Sim,também vim, mas não estou gostando. É pá! É tanto negro! É demais. E o cheiro? Como é que Vocês o chamam ? É katinga, não é?

-É, mas escuta:-sinceramente não tinha gostado daquele desabafo, e continuei muito sério:

-Êsse cheiro também tu o terás se não te lavares e tinha-o, de certeza, a madame de Pompadour,se não usasse tanto perfume. Que é que tu dizes daqueles nossos patrícios, pobre gente sofrida que vive naquelas aldeias do interior, trabalham de sol-a-sol, nunca viram um trem na vida e só tomam banho, completo, no dia do casamento?

 

-Tudo bem, tudo bem.-contemporizou Carlos e continuou:-mas tu consegues gostar disto aqui? Conseguiste um bom "pistolão" e tens um bom emprêgo!.

 

Não gostei de novo, do tom com que Carlos falou e respondi-lhe com ar ainda mais sério:

 

-Não tenho um bom emprêgo, não: sou dactilógrafo! Mas gosto de estar aqui. É uma terra com uma outra dimensão, com um grande futuro à sua frente, se o souberem desenvolver. E. pelo menos, não existe, aqui, aquela mesquinhês que existe na nossa terra! As pessoas são mais francas, vive-se com mais confiança.

 

Carlos mudou, imediatamente de atitude e pretendeu dar uma explicação séria:

 

-Pode ser, mas o que me custa é habituar-me a tanta negritude; tento mas não consigo.

 

-Que tem a negritude ?-interrompi e continuei: -separa essa negritude por camadas sociais e vais ver que encontrarás muitos brancos iguais a ti, mas de côr negra, e se voltares a Portugal, lá encontrarás muitos nêgros iguais a êstes, mas de côr branca. É que, pelo menos para mim, não há o problema da côr. Existe, sim, diferenciacão social, nada mais.

 

Carlos começou a fazer gestos com as mãos dando a entender que não queria escutar mais. Depois, à guiza de despedida, disse sorrindo:

 

-Olha, Jorge, não gastes o teu latim: já vi tudo, já entendi: já te habituaste a usar carvão, mas eu continuo preferindo o pó de talco.

 

E afastou-se sorrindo, aparentemente feliz com a sua ironia. E foi a primeira e última vez que vi Carlos, naquele ano de 1957, e seguintes

 

música: Dean Martin- Thats Amore
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publicado por Jorge Santos às 00:47
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Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008

ENCERRADO PARA OBRAS

Devido a um lamentável aviso de vírus que aparecia quando se abria o conteúdos , e como não consegui dentro dos meus recursos e "doutros" solucionar esse problema resolvi fechar o blog e fazer outro. Não desisto e voltarei brevemente. Abraço a todos.

publicado por Jorge Santos às 21:04
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