Uma frágil coluna de fumo, saindo de uma velha chaminé cansada, erguia-se debilmente para o céu. O vento fustigava as árvores, despindo-as das folhas, secas, já sem vida, confundindo-se, aqui e além, com os flocos de neve.
A porta, igualmente velha, que gemia com o bater do vento, deixava ver, através das suas frinchas, um ténue fio de luz vindo do interior. Lá dentro, ardiam gravetos na lareira onde jazia uma panela velha, enegrecida pelo fumo, já esquecida da primitiva cor.
Um velho e uma criança estavam em frente dela. Sentado num banco tosco, o velho enrolava o cigarro entre os dedos enquanto a criança observava aquela chamazita irrequieta que espreitava ora de um ora de outro lado da panela.
Avozinho, quem fez o fogo?
-Foi Deus.
-E quem é Deus?
-Deus...Deus, meu filho, é como que uma pessoa muito boa, que é nosso Pai e...que está no Céu.
-Deus é rico, Avô?
-Ele criou tudo, tudo é Dele.
-E é amigo dos pobrezinhos?
-Claro que é!
A criança olhando para o teto esburacado da cabana, perguntou:
-Por quê não dá Deus a nós uma casa bonita? Por quê não dá dinheiro?
-Porque o importante, meu filho, é que sejamos bons e humildes e o dinheiro, muitas vezes, faz as pessoas más e orgulhosas.
-O Menino Jesus também é muito bom, não é? O Luizinho disse que sim: no Natal Ele põe brinquedos nos sapatos dos meninos bons, não é?
-Sim: mas o Menino Jesus não deve saber onde fica a nossa casa.
Depois de uns momentos de silêncio, a criança perguntou
Avozinho, o Pai ?
-Foi buscar a mãe a casa da "senhora"
-Por quê a Mãe está sempre em casa da "senhora"?
-Porque é lá que ela trabalha.
Era véspera de Natal e, como não podia deixar de ser, lá em casa da "senhora" havia festa, noite de consoada, haveria, pois, muito mais trabalho. Seria melhor deitar o pequeno já que a nora era capaz de se demorar.
A um gesto do Avô, a criança abriu os olhos, desceu do colo e foi buscar um sapatito que colocou debaixo da chaminé. Voltou, em seguida, para o colo do Avô onde acabou por adormecer.
Lá fora o vento continua a soprar, a neve a cair e as folhas a bailarem; Lá dentro, o velho medita e a criança sonha: sonha, talvez, com a uma música muito linda e muitos brinquedos no sapato; o velho medita, medita naquela vida tão triste, cruel despertar de seus sonhos de criança.
Foi deitar o neto: depois, deitou-se também.
Quando de manhã, o sol tímido de Inverno, entrando pela janela, anunciou o dia, a criança foi a primeira a levantar-se. Correu direita à lareira mas que desilusão o sapatito estava apenas cheio de fuligem que, durante a noite, o vento fizera cair pela chaminé.
Ficou triste. Os olhitos começaram a piscar e, bem depressa, rompeu num choro baixinho, tão baixinho que só o Menino Jesus ouvisse. E foi, com as lágrimas correndo pela carita e com o sapatito volteando nas mãos, que a mãe o encontrou junto da lareira. Tinha-se esquecido, de tão cansada que chegara, de colocar no sapatito o brinquedo que trouxera de casa da "senhora" e ele levantara-se bem mais cedo do que habitualmente.
Correu para o filhito e, puxando-o para si, disse cheia de ternura:
-Vem cá: não chores, não. Olha só o que tenho para ti ! Não é bonito? Agora, anda, dá um beijo à mãe, dá!...
Um sorriso apareceu e os olhos brilharam, ainda mais, sob as lágrimas que o enchiam. Pegou no brinquedo, beijou a mãe e, correndo, foi ter com o Avô:
-Avô, Avô! Olha um brinquedo bonito!
-Mas que lindo! Deixa ver,
exclamou o avô que tudo presenciara emocionado. E, fingindo um ar de surpresa, perguntou:
-Foi o Menino Jesus quem deu?
-Não. Foi a Mãe. O Menino Jesus não veio...
E com ar de pessoa entendida, acrescentou:
-Ele não sabe onde a gente mora.
Jorge Sa
(Meu Pai)
Os olhos de minha Mãe.
são os mais lindos...
de todos os olhos!
Verdes!
Como só eles podem ser.
A sua pele avermelhada-morena
só como ela a pode fazer morena!
As suas mãos grandes e bonitas,
só ela as pode ter...
As suas sobrancelhas bem arranjadas
só ela é que as tem.
Para mim
não há olhos
tão bonitos,
como os de minha Mãe!
Manaus, Setembro de 1976
TENHO ÂNSIA DE VIVER
DE SER FELIZ.
E TUDO FAÇO PARA O SER
SEM TER
NUNCA O QUE QUIS .
E O QUE NÃO QUERO
TENHO DEMAIS.
MAS O QUE TENHO
NÃO É MEU:
É DE OUTRO SER
QUE NÃO SOU EU.
CHORO SEM GEMIDOS,
EM SOLUÇOS
SUFOCANTES,
DE RAIVA,
DE DESESPERO,
SEM FORCA
P'RA CONTINUAR
A TENTAR.
SONHOS QUE SONHEI,
HISTÓRIAS QUE FANTASIEI
PARA FUGIR À VERDADE
DA FRAQUEZA DO MEU SER!
CASTELOS
CONSTRUIDOS NA AREIA
DE UM MAR
SEM SEREIAS.
MEU CORAÇÃO BATE
MAIS FORTE
E MEU PULSO SEGURA
MAIS FRACO:
NÃO CONSIGO AGARRAR,
PRENDER,
RETER
O BOM, O BELO, O FELIZ
QUE COM ASAS DE BORBOLETA
PASSA NUM ESVOAÇAR
SALTITANTE.
NO MEU PEITO
O SOLUÇO ANGUSTIANTE
NOS MEUS OLHOS
A LÁGRIMA
QUE NÃO QUIS .
E, AGORA,
UM ADEUS,
UM IR EMBORA
DE AO PÉ DOS MEUS
QUE DEIXARAM DE SER MEUS.
QUE COM DEUS FIQUEM
E EU QUE VA COM DEUS
Falta de tempo e inspiração tem-me levado a deixar o "conteúdos" um pouco abandonado. Por isso vou Fazer a reedição de alguns Posts que mais gostei, até voltar a dar ao "conteúdos" o ritmo que tinha antigamente.
Texto escrito para o 6º jogo das doze palavras do EREMITÉRIO, desta vez com sessenta palavras, as doze de cada um dos cinco jogos anteriores.
Apesar da crise, bem notória, vivida e sentida, fomos dar uns mergulhos a Lagos que bem merecemos e tentar recuperar algum folego animo e entusiasmo para mais um Inverno que ao exemplo dos anteriores, se prenuncia ser de cinto apertado.
Falar de futebol, envolver-me nas suas discussões , ser mais um treinador de bancada, não é actividade que me dê muito prazer. Quem me conhece, sabe que não é meu costume esse envolvimento nas vicissitudes do futebol, tão do agrado de tantos e trunfo de tempos de antena televisivos. Dá-me algum prazer por brincadeira pura e sem laivos alguns de maldade, lançar umas "achas para a fogueira" de uma discussão matinal à segunda feira entre um reduzidíssimo mas agradável grupo de colegas de trabalho.
Mas nunca fui um neutro na vida, nunca pertenci a não alinhados sempre escolhi o meu lado e torci por ele gosto do meu clube de futebol e gosto de ver jogar bem a selecção nacional, mesmo quando perde e fica fora das competições, gosto de ver um grupo de jogadores com ambição de fazerem o que sabem da melhor forma possível, se não conseguirem, pelo menos a sua consciência estará tranquila porque deram tudo e fizeram o melhor que sabiam. Este grupo de jogadores que representou Portugal no campeonato do mundo da África do Sul até poderia ter feito mais um jogo ou dois ou três ou mesmo ter chegado à final se tivesse à sua frente, como timoneiro, orientador e verdadeiro líder alguém com mais ambição do que aquele que tiveram. Alguém que os incentivasse a entrar em campo para ganhar todos os jogos e não apenas para somar "os pontos necessários", faltou ambição na voz desse líder, e os jogadores sentiram-no e a pouco e pouco o desconforto ia sendo por demais evidente não conseguindo conter os desabafos . Por tudo isto, quando os rapazes voltaram a casa e ainda antes do regresso eu ouvi o "líder" dizer "se algum jogador achar a camisola pequena não precisa cá estar", pensei e se numa análise realmente honesta o líder achar que tem um corpo pequeno para esta camisola, pode sair...
"Fisicamente, habitamos um espaço, mas, sentimentalmente, somos habitados por uma memória".
Com essa memória ficarei, junto dos meus sentimentos, até ao término do meu espaço físico. Pois nos seus livros estão as histórias que há muito moram dentro de mim.
Há vinte anos atrás, tinha então vinte e quatro anos, sentei-me em frente da televisão em casa da minha mãe para assistir em directo no primeiro canal da RTP à libertação de Nelson Mandela do seu cativeiro de mais de vinte anos passados na ilha de Robben Island. Hoje com quarenta e quatro anos, vinte anos decorridos sobre a libertação daquele que para mim é o maior símbolo da bondade e nobreza humana vivo, estou sentado em frente da televisão de minha casa, a assistir no primeiro canal da RTP à cerimónia de abertura do campeonato do mundo da ÁFRICA DO SUL, e se este momento acontece agora foi porque aqueloutro aconteceu há vinte anos atrás. A nação arco-íris que Mandela sonhou ainda vai levar algum tempo a se afirmar mas a vontade e determinação são grandes e este evento desportivo à escala mundial é o exemplo dessa força e determinação.
Vai concerteza ser um grande mundial!
OBRIGADO MADIBA!
Não acredito na mentira como prática corrente, definindo um modo de vida.
Viver com a verdade e viver com a mentira é intrínseco à própria natureza humana, todos nós já talvez tenhamos preferido mentiras piedosas a verdades cruéis e ou até mesmo mentiras levianas a verdades justas, mas temos sempre uma escolha, há sempre uma opção que podemos tomar mentir e ser verdadeiro não são desígnios, são escolhas e se podemos escolher podemos ser sempre verdadeiros. A mentira fere, magoa, ilude e por vezes mata. A mentira é amnésica esquece-se de si mesma e mais cedo ou mais tarde é descoberta porque faz cair quem mente em contradição, e quando são sucessivas e consecutivas até mesmo quem mente acredita serem aquelas suas, as verdades absolutas não se recordando mais do dia em que falou verdade pela ultima vez...
Não me digam mais nada senão morro
aqui neste lugar dentro de mim
a terra de onde venho é onde moro
o país de que sou é estar aqui.
Não me digam mais nada senão falo
e eu não posso falar eu estou de pé.
De pé como um poeta ou um cavalo
de pé como quem deve estar quem é.
Aqui ninguém me diz quando me vendo
a não ser os que eu amo os que eu entendo
os que podem ser tanto como eu.
Aqui ninguém me põe a pata em cima
porque é de baixo que me vem acima
a força do lugar que for o meu.
José Carlos Ary dos Santos
No dicionário, o significado da palavra urgência é o seguinte:
Português. Categoria:Substantivo (Português) Substantivo : ur. gên .ci. a feminino. necessidade de fazer alguma coisa imediatamente ...
"Necessidade de fazer alguma coisa imediatamente"
Mais um serviço nocturno de um centro de saúde foi encerrado. Desta vez o de Valença, no Minho.
Os habitantes de Valença têm agora de se deslocar a Monção para serem atendidos de urgência ou seja imediatamente como está escrito no dicionário. Imediatamente?! Monção está distante, dezoito quilómetros de Valença, as ambulâncias do INEM ou dos bombeiros locais, numa condução segura de transporte de doentes de URGÊNCIA, demoram cerca de quinze a vinte minutos a percorrer aquela distancia, como é possível atender alguém URGENTEMENTE, nesta situação?
Por outro lado Tui em Espanha tem um serviço de Urgência a funcionar vinte e quatro horas e dista apenas cinco minutos de ambulância de Valença, eu conheço e acreditem, É JÁ ALI! Se a isto acrescentarmoss que em Monção o utente paga uma taxa moderadora de cerca de oito euros e em Tui não desembolsa um cêntimo que seja, eu se fosse um habitante dessa bonita região Minhota, seria o primeiro a usar e incentivar os meus concidadãos a usar a unidade de Tui, no caso de persistirem no erro de manter o serviço de urgência nocturno de Valença encerrado.
CHIMAMANDA ADICHIE
A memória é curta, demasiado curta para todos aqueles que agora pedem medidas drásticas para míudos protagonistas de actos violentos nos recintos escolares, não se lembrarem que os primeiros autores de actos como castigos corporais severos, foram os pedagogos assim chamados, os professores, até à não muito tempo. Eu até à quarta classe, actual quarto ano feita em 1975, convivi de perto com aquele instrumento de agressão predilecto dos professores a que chamavam a régua dos cinco olhinhos. Crianças desmotivadas por maus ambientes, convivendo dentro de famílias desestruturadas, num fenómeno transversal a todas as classes sociais, reflectem na escola essa mesma desestrutura.
A agressividade das crianças não é algo mau e que deva ser combatido, as crianças todas, têm uma agressividade natural que é desenvolvida entre colegas e se nenhum se queixar, deve ser vivida, as crianças partilham momentos de amizade agressiva e doce quase em simultâneo e não há agora miúdos piores ou melhores dos de outros tempos, continuam a haver sim, miúdos que devem ser educados por pais e professores e que em vez de reprimidos ou castigados, devem ser amados e acarinhados principalmente quando erram pois como diz o provérbio chinês: "Ama-me quando eu menos merecer, pois é quando eu mais preciso."Quando uma criança se isola se afasta se nega a interegir com os colegas, aí sim devemos ser vigilantes e procurar saber os mutivos dessa "fuga", motivos que podem ser muitos mais do que aqueles que acontecem nos recreios das escolas.
Crescer é duro, ser criança não é fácil, mas é deslumbrante crescer, aprender , errar e acertar. Eu aprendo todos os dias a crescer com os meus que comigo crescem e que me ensinam a lidar com eles e assim em conjunto aprendemos a crescer na vida!
O meu país está politicamente doente, é um facto. Os políticos sem classe são demais para que a sua classe seja dignificada e seja dignificado o povo que pelo sufrágio universal a elegeu.
A mediania sofrível a que somos sujeitos por políticos e agentes da comunicação social, deixa-nos a escorregar por um pântano de desesperança.
Mas não aceito a tese em que muitos se querem doutorar, de que há falta de liberdade de imprensa no nosso país, como poderia? os meios de comunicação social dizem e escrevem o que querem e como querem sobre qualquer assunto não respeitando limites deontológicos, sociais e humanos. Basta observarmos o conteúdo e critérios de devassa da vida privada usados por jornais, rádios e canais de televisão, desde os aspectos da vida mundana , passando pelos desportivos e culminando nos políticos, para em consciência e de uma forma puramente observatória, ter a opinião pessoal de que muita coisa corre mal e corre de facto, mas que os meios de comunicação social continuam livres, não tenho a menor duvida.
Com todo o respeito pelos habitantes do arquipélago da Madeira, mas também com todo o respeito pelos habitantes de todo Portugal, fico com a sensação que o aumento de verbas para as regiões autónomas, sendo que uma delas apresenta o segundo maior rendimento per capita do país, numa altura a todos exigida de contenção, me parece um autentico bailinho...da Madeira.
Foi hoje o dia, o dia do nosso laço de amor, esse laço terno, suave, vigoroso, muito belo e feliz!
O dia do Jorge Paulo e da Maria João!
Os Fabulosos cinco:
Eu , a Maria João, a Leah à direita, o Lucas ao meio e a Lisa à frente.
A caminho do Laço...
Ainda a caminho...
Quase laçados...
A laçarmos-nos...
Laçados!!!
Laçadinhos de fresco!!
As nossas mães, Nini e Esmeralda
Fotos de familia!
Popularmente ouvido dizer, "dar o nó", à vontade exercida entre duas pessoas de se casarem, tem o meu reparo por preferir dizer que vou dar o LAÇO, muito brevemente com a mulher que amo!
Assim, Jorge Paulo e Maria João se laçarão, num laço suave, doce , delicado, mas firme, resistente e muito verdadeiro, neste mesmo mês de Outubro!
Uma vontade adiada por nove anos ganhou forma no sábado passado, dia 4 de Julho pelas mãos e agulhas do Yuran.
Se desde que nasceu, num dia 4 também mas de Dezembro, o Lucas nunca deixou de existir em mim por um só momento, agora tenho-o graficamente simbolizado no peito, ele foi comigo e a Lis também enquanto a agulha frenética picava e o Yuran trabalhava.
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